quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sempre o mesmo.
Fim de ano chegou e com ele as confraternizações de escolas, empresas, de casa etc. É tempo de brincar de amigo secreto, ou oculto, o que não deixa de ser a mesma coisa. Uma brincadeira legal, que permite você presentear alguém que goste. Mas isso é impossível, parece que os papeizinhos adivinham que sua mão está prestes a entrar no potinho e se embaralham rapidamente fazendo assim que você tire aquela pessoa que menos tem afinidade. Sim sim, aquela mesmo que nunca falou com você, que você sequer sabe o nome direito, aquela estranha que fica calada o tempo todo, te olha torto, e você chega a pensar que ela não vai com a sua cara.
O que dar de presente a uma pessoa assim? Um porta lápis? E se ela não usar lápis? Ah já sei, esse é infalível, um porta retratos... Mas e se ela não gostar de tirar fotos? Ou então um chaveiro, mas e se a porta dela for automática?
Dúvida cruel.
Chega o dia do tão esperado amigo secreto. A pessoa está ali, na sua frente, e nem desconfia que você, logo você a tirou. Sempre tem aquele chato que começa a brincadeira, diz as características do seu amigo, diz porque escolheu aquele presente, e assim os outros já começam a deduzir quem seja. Isso se repete várias vezes, até que chega a sua vez. Sorriso amarelo. Garganta seca. Será que vai conseguir falar?
-Bem... é... meu amigo secreto é uma pessoa bacana.
Bacana? Só isso que você sabe dela? Ba-ca-na?!
-Foi bem difícil escolher esse presente porque não a conheço bem, então não sei seu gosto musical, de livros, roupas etc.
Menos mal, foi sincero.
-Meu amigo secreto... é... Aquela menina ali, de óculos... É você mesmo.
Então você entrega o presente, e tenta voltar o mais rapidamente possível pro seu lugar. Quer que isso acabe logo. Mas o pessoal, mais precisamente o chato que iniciou a brincadeira grita:
-Dá um abraço pô! A-bra-ço! A-bra-ço!
E você volta, todo sem jeito. E dá um abraço torto, rápido, quase sem tocar na pessoa. E o mesmo chato, sempre o chato, grita de novo:
-Ah! Agora abre o presente aí, mostra pra gente o que ele te deu! Mostra! Mostra!
Agora é a vez da outra pessoa passar vexame, abrindo o seu pacote. Aquele que lhe tirou o sono, lhe fez andar em todas as lojas da cidade procurando 'aquele' presente. E o mistério se desfaz, o pacote é aberto.
Um peso de papel.
Peso de papel? Isso foi o máximo que conseguiu?
Se não servir pra segurar os papéis dela, serve pra você jogar na cabeça do chato. Sempre o chato.
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