quinta-feira, 4 de junho de 2009
"P.S: Desculpa"
Bem povo, finalmente terminei...
Mostrei o "bilhete" a uma amiga [Maria] e ele disse que adoraria vê-lo transformado em uma história. E isso ficou na minha cabeça por um tempão, até que resolvi arriscar. Maria; minha primeira história é pra você!!
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Ela acordou um pouco zonza, a luz do sol - que entrava pela fresta da janela - fazia com que seus olhos ficassem meio fechados. Virou-se na cama e percebeu que ele já havia saído. Os lençois bagunçados e seu pijama espalhado pelo chão, denunciavam sua partida.
- Quando é que ele vai aprender? Ela resmungou.
Levantou-se preguiçosamente. Olhou ao redor, - silêncio - ele sempre deixava o rádio ligado para ouvir as notícias do trânsito antes de sair para o trabalho. Mas hoje, só o silêncio falava mais alto por ali.
Olhou o criado mudo, reparou que além do costumeiro despertador azul, havia uma pequena folha de papel dobrada. Abriu. Reconheceu a letra dele, sua escrita estava confusa, parece que escreveu às pressas: "QUANDO ENCONTRAR ESSE BILHETE, TALVEZ SEJA TARDE DEMAIS..."
Isso a fez lembrar da noite passada, em que mais uma vez eles discutiram, só que um pouco mais grave. Além da gritaria, insultos e palavrões de sempre, ele ameaçou não amanhecer mais ai do seu lado; cometeria suicídio durante a noite. Ela acostumada à suas ameaças, ainda insultou:
- Você não é homem suficiente pra isso! Du-vi-do!
Mas ali estava, em suas mãos, a prova do que ele foi capaz de fazer. O desespero e o remorço a invadiram.
- Meu Deus... Ele fez mesmo!
Imediatamente ela saiu do quarto, procurando por onde ele poderia estar. Foi no banheiro; nada. Sala de visitas; nada. Andava com os olhos meio fechados ainda, não por causa da luz do sol, e sim por medo de encontrá-lo estendido no chão ou pendurado pelo pescoço. Procurou por toda casa; do quarto de empregadas - que servia de depósito de tralhas - até a dispensa, que sempre estava vazia. A onda de desepero aumentou.
- Então ele não quis fazer isso aqui, preferiu em outro lugar.
Continuava segurando o pequeno pedaço de papel com suas mãos trêmulas. Pensou ainda em ligar para a polícia, mas de que adiantaria se ela não sabia onde ele estava? E se ligasse pra mãe dele? Ela talvez soubesse onde ele poderia ter ido. Mas não. Melhor não, isso só ia deixa-la preocupada. Ou matá-la de um ataque cardíaco!
- Não. Mais um morto, assim já é demais!
Balançou a cabeça, como para espantar os pensamentos ruins. Em seu rosto havia agora um misto de raiva e angústia; ainda não conseguia acreditar de que ele foi capaz de cometer tamanha burrice. Já não sabia mais o que fazer, todas as suas esperanças já haviam se esgotado.
Naquele dia não tomou café da manhã, escovou os dentes ou trocou de roupa [ainda estava com seu vestidinho de dormir]. Sentou-se no sofá da sala, esperando por boas [ou más] notícias. Ficou ali o dia inteiro. Pensativa, sempre com o papelzinho na mão. Lembrou-se que o papel estava dobrado em duas partes, e releu-o, sem acreditar no que havia agora no recado completo: "QUANDO ENCONTRAR ESSE BILHETE, TALVEZ SEJA TARDE DEMAIS. O ÔNIBUS SAIU MAIS CEDO HOJE.
P.S: DESCULPA."
Ouviu a chave girar na porta; era ele que voltava do trabalho.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Excelente. Continue postando. ótimo.
ResponderExcluirAmaaaaado. Bom, como sabe, não estou em condições pra ler agora. Mas vou ler!
ResponderExcluirContinue escrevendo. Ainda mais depois de ver uma citação de Clarice ali.
Muito bom!
ResponderExcluirMesmo sabendo o final, você conseguiu me surpreender. Obrigada pela dedicatória, e continue escrevendo. Beijos e Abraços!
Adorei a estória!!!
ResponderExcluirEspero poder continuar lendo coisas escritas por vc... Muito bom mesmo... Parabens...
Rafael Johnatan